quinta-feira, 9 de junho de 2011

Fotos da Ereção da mais nova Paróquia e posse do primeiro Pároco

Esse ato para - litúrgico aconteceu no dia 31/05 na cidade de São Bento do Una PE, um ato muito belo e significativo, o ato da ereção e posse aconteceu fora da Missa e dentro da Igreja e já a Missa foi fora da Igreja; por conta do grandioso numero de fiéis.

Padre Gabriel primeiro Pároco

Dom Fernando ao centro, Monsenhor Benevenuto a direita(Vigário Geral), Padre Gabriel a esquerda



Monsenhor Alexandre Chanceler do Bispado

Pe. José Luís reitor do seminário inter-diocesano de Caruaru



















A nova matriz de N.Sra de Fátima - Diocese de Garanuns


Nosso Bispo Diocesano, Dom Fernando Guimarães, cria mais uma Paróquia em  nossa Diocese, a Pároquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na cidade de São Bento do Una. Dessa forma, São Bento é a primeira cidade da Diocese, além da sede Garanhuns, a possuir mais de uma paróquia em seu território. Transcrevemos, a seguir, o Decreto de ereção canônica da Nova Paróquia.
Dom Fernando Guimarães, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo de Garanhuns
Aos que o presente Decreto virem, Saudação, Paz e Benção no Senhor Jesus Cristo!
Atendendo às necessidades espirituais do povo de Deus e considerando o crescente número de habitantes da cidade de São Bento do Una, em conformidade com o Cânon 515, par. 1 e 2 do Código de Direito Canônico, resolvemos criar a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na cidade de São Bento do Una, desmembrando-a da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Pobres Aflitos, da cidade de São Bento do Una. Assim, depois de ouvir o Clero e os Padres do Conselho Presbiteral, pelo presente Decreto, Constituímos e Erigimos canonicamente a PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA, com sede na Rua Cinco, no. 20, Loteamento Delmário Braga, CEP 55370-000, na Cidade de São Bento do Una, Estado de Pernambuco, observando os seguintes limites: ao Norte, com os limites civis do Município de Belo Jardim; ao Sul, com o Município de Lajedo; a Leste, com o Município de Cachoeirinha e a Oeste, ao longo da PE-180, com a Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Pobres Aflitos, no Município de São Bento do Una. Promovemos a atual Capela de Nossa Senhora do Rosário de Fátima à categoria e dignidade de Matriz e mandamos os seus Fiéis que provejam à sustentação digna e honesta de seu Pároco e Pastor, segundo o costume e dentro das determinações diocesanas, e que seja dado grande ênfase à formação dos leigos, capacitando-os, assim, para a Evangelização dos dias atuais.
O presente Decreto entrará em vigor na presente data, por ocasião da instalação da nova Paróquia e posse do seu primeiro Pároco, revogadas as disposições em contrário. Será lido à estação das Missas mais concorridas na Matriz do Senhor Bom Jesus dos Pobres Aflitos de São Bento do Una, tantas vezes quantas seu Pároco o julgar necessário, como na Matriz da nova Paróquia, no dia da instalação, e será transcrito fielmente nos Livros de Tombo da nova Paróquia e da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Pobres Aflitos, para quer conste de futuro.
Dado e passado nesta cidade e Cúria Diocesana de Garanhuns, sob o selo e sinal de nossas armas, aos 30 dias do mês de maio do ano de dois mil e onze.
+ Fernando Guimarães, Bispo Diocesano de Garanhuns
Mons. Alexandre de Melo Castanha Neto, Chanceler da Cúria
(Reg. Liv. Documentos, fls. 184, n. 11 / Liv 2 de Atos Diocesanos, fls 13v e 14)
Como primeiro Pároco, foi nomeado o Revdo. Padre Gabriel Belo Cavalcante, do Clero da diocese.

Nomeações e transferências

Em data de 1. de junho de 2011, nosso Bispo Diocesano, Dom Fernando Guimarães, assinou as seguintes disposições canônicas:

- Nomeando o Revmo. Mons. José Augusto de Melo Pereira como Moderador da Cúria Diocesana, função a ser acumulada com o ofício de Ecônomo Diocesano, com efeito imediato.
- Nomeando o Revmo. Padre Fábio Cavalcante da Silva como Pároco da Paróquia de Santo Antônio - Catedral, em Garanhuns, a ter efeito a partir do próximo mês de agosto.
- Nomeando o Revmo. Padre Poul Anderson Silva de Melo como Administrador Paroquial da Paróquia de Santa Teresa do Menino Jesus, no Magano, em Garanhuns, a ter efeito a partir do próximo mês de agosto.
- Nomeando o Revmo. Mons. José Augusto de Melo Pereira como Vigário Paroquial da Paróquia de Santo Antônio - Catedral, em Garanhunhs, a ter efeito a partir do próximo mês de agosto.
- Autorizando o Padre José Evandro da Silva a exercer o ministério sacerdotal a serviço das Fazendas da Esperança, fora do território da Diocese, por um ano.

O amor, forte como a morte

Das Homilias de Balduíno de Ford (séc. XII), abade cisterciense:

«Grava-me como selo em teu coração, porque forte como a morte é o amor» (Ct 8,6). «Forte como a morte é o amor» porque o amor de Cristo é a morte da morte. Da mesma forma, o amor com que amamos a Cristo é, também ele, forte como a morte, porque constitui, à sua maneira, uma morte: uma morte que põe fim à vida velha, em que os vícios são abolidos e as obras mortas são abandonadas. De fato, o amor que temos a Cristo – mesmo estando longe de igualar aquele que Cristo tem por nós – é à imagem e semelhança do Seu. Cristo, efetivamente, «amou-nos primeiro» (1Jo 4,19) e, através do exemplo que nos deu, tornou-Se para nós um selo, a fim de que nos tornemos conformes à Sua imagem.

É por isso que Ele nos diz: «Grava-Me como selo em teu coração», como se dissesse: «Ama-me como Eu te amo. Guarda-Me no teu espírito, na tua memória, no teu desejo, nos teus suspiros, nos teus gemidos, nos teus soluços. Lembra-te, homem, de que natureza te criei: de quanto te preferi às outras criaturas, de que dignidade de enobreci, de que glória e de que honra te coroei e como te fiz pouco inferior aos anjos e como tudo coloquei sob os teus pés (Sl 8,6-7). Lembra-te, não apenas de tudo o que fiz por ti, mas ainda de tudo aquilo que, de fato, suportei da tua parte, em sofrimento e desprezo. E vê se não és injusto para comigo, não Me amando. Quem, pois, te amou como Eu? Quem te criou, se não Eu? Quem te resgatou, se não Eu?»

Senhor, arranca de mim este coração de pedra, este coração gelado, este coração incircunciso. E dá-me um coração novo, um coração de carne, um coração puro (Ez 36,26). Tu, que purificas o coração e que amas o coração puro, vem possuir e habitar o meu coração; envolve-o e enche-o, Tu que ultrapassas tudo o que sou e que me és mais interior e íntimo do que eu mesmo. Tu, o modelo da beleza e o selo da santidade, confirma o meu coração à tua imagem, marca o meu coração com a tua misericórdia, Deus do meu coração, meu refúgio e minha herança para sempre (Sl 72,26).


Mitos Litúrgicos Parte IV - Final


Mito 25: “Cada comunidade deve ter a Missa do seu jeito”
Não deve e não pode ter a Missa do seu jeito, e sim do jeito católico.
O Concílio Vaticano II já dizia (Sacrossanctum Concilium, 22): “Ninguém mais, absolutamente, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica.”
Escreveu o saudoso Papa João Paulo II : (Ecclesia de Eucharistia, n. 52) “Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. (…) A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal.”
Também a Instrução Inaestimabile Donum, de 1980, afirma: “Aquele que oferece culto a Deus em nome da Igreja, de um modo contrário ao qual foi estabelecido pela própria Igreja com a autoridade dada por Deus e o qual é também a tradição da Igreja, é culpado de falsificação.”
O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, afirmou: “É preciso que volte a ser claro que a ciência da liturgia não existe para produzir constantemente novos modelos, como é próprio da indústria automobilística. (…) A Liturgia é algo diferente da invenção de textos e ritos, porque vive, precisamente, do que não é manipulável.” (”O Sal da Terra”)

Mito 26: “Pode-se fazer tudo o que o Missal não proíbe”
Não se pode.
O Concílio Vaticano II proíbe acréscimos na Sagrada Liturgia, como foi dito acima (Sacrossanctum Concílium, n.22). A interpretação do Missal é estrita: assim, na Santa Missa, faz-se somente o que o Missal determina e nada mais do que isso.
Esta é uma diferença entre a Santa Missa e os grupos de oração, os encontros de evangelização e outros momentos fora da Sagrada Liturgia, onde pode-se usar de uma espontaneidade que não tem lugar dentro da Missa.
O Rito, por sua própria essência, prima pela unidade. Diz a Instrução Redemptionis Sacramentum (n.11) :
“O Mistério da Eucaristia é demasiado grande «para que alguém possa permitir tratá-lo ao seu arbítrio pessoal, pois não respeitaria nem seu caráter sagrado, nem sua dimensão universal. Quem age contra isto, cedendo às suas próprias inspirações, embora seja sacerdote, atenta contra a unidade substancial do Rito romano, que se deve cuidar com decisão (…) Além disso, introduzem na mesma celebração da Eucaristia elementos de discórdia e de deformação, quando ela tem, por sua própria natureza e de forma eminente, de significar e de realizar admiravelmente a Comunhão com a vida divina e a unidade do povo de Deus.”
Também o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, juntamente o Messori, no livro “A Fé em Crise?”, publicado em 1985, afirma: “A liturgia não vive de surpresas ’simpáticas’, de intervenções ‘cativantes’, mas de repetições solenes (…) Também por isso ela deve ser ‘predeterminada’, ‘imperturbável’, porque através do rito se manifesta a santidade de Deus. Ao contrário, a revolta contra aquilo que foi chamado ‘a velha rigidez rubricista’, (…) arrastou a liturgia ao vórtice do ‘faça-você-mesmo’, banalizando-a, porque reduzindo-a à nossa medíocre medida” .

Mito 27: “O padre é autoridade, por isso deve-se obedecê-lo em tudo”
Não se deve.
A Santa Igreja é hierárquica, e uma determinação de um sacerdote que vá contra uma determinação de Roma é automaticamente nula.
O Concílio Vaticano II, como foi dito acima, deixa claro que nem mesmo os sacerdotes podem alterar a Sagrada Liturgia (Sacrossanctum Concilium, n. 22)
O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, é incisivo em dizer (”O Sal da Terra”) : “Do que precisamos é de uma nova educação litúrgica, especialmente também os padres.”
A Instrução Redemptionis Sacramentum afirma ainda que todos tem responsabilidade em procurar corrigir os abusos litúrgicos, mesmo quando isso implica em expor queixa aos superiores. Diz o documento (n. 183-184):
“De forma muito especial, todos procurem, de acordo com seus meios, que o santíssimo sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Isto, portanto, é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a cumprir este trabalho. Qualquer católico, seja sacerdote, seja diácono, seja fiel leigo, tem direito a expor uma queixa por um abuso litúrgico, ante ao Bispo diocesano e ao Ordinário competente que se lhe equipara em direito, ante à Sé apostólica, em virtude do primado do Romano Pontífice. Convém, sem dúvida, que, na medida do possível, a reclamação ou queixa seja exposta primeiro ao Bispo diocesano. Para isso se faça sempre com veracidade e caridade.”

Mito 28: “Procurar obedecer à leis é farisaísmo”
Não é, se essas leis forem leis instituídas por Deus ou por quem Deus delega tal poder.
O que Nosso Senhor censurou nos fariseus NÃO foi a preocupação em obedecer em santas leis de Deus. O próprio Senhor disse: “Se guardardes os Meus Mandamentos, sereis constantes no Meu Amor, como também Eu guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto no Seu Amor.” (Jo 15, 10-11) E ainda: “Não julgueis que vim abolir a lei e os profetas. Não vim para abolir, mas sim para levá-los à perfeição. Pois em verdades vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei. Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aqueles que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.” (Mt 5, 17-19)
A lei divina precisa ser obedecida. Os erros que Nosso Senhor condenou nos fariseus foram dois: o fato de eles ensinarem uma coisa e viverem outra (”Este povo somente Me honra com os lábios; mas seu coração está longe de Mim” - Mc 7,6); e o fato de eles interpretarem a lei de forma errada em algumas ocasiões (”Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens” - Mc 7,8), como no caso da proibição deles em relação às curas realizadas em dia de Sábado.
Não existe distinção entre obedecer diretamente a Deus e obedecer a lei da Santa Igreja. Nosso Senhor confiou a São Pedro, o primeiro Papa (Mateus 16,18-19), o poder de ligar e desligar. O Catecismo da Igreja Católica explica que “o poder de ligar e desligar” significa a autoridade de absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja.” (n. 553) Por isso, recusa de sujeição à lei da Santa Igreja é pecado contra o 1º mandamento (Cat., n. 2088-2089)
Obedecer à lei da Santa Igreja é obedecer à Deus; obedecer à Deus é obedecer também a lei da Santa Igreja.

Mito 29: “O que importa é o coração”
Não exclusivamente.
Aos que afirmam que “o que importa é o coração”, vale lembrar que aqui não cabe a aplicação deste princípio, pois isso implicaria colocar-se em contraposição com grandes parte das normas litúrgicas da Santa Igreja, bem como com os diversos sinais e símbolos litúrgicos (paramentos, velas, flores, incenso, gestos do corpo, etc), que partem da necessidade de se manifestar com sinais externos a fé católica a respeito do que acontece no Santo Sacrifício da Missa, bem como manifestar externamente a honra devida a Deus. A atitude interna é fundamental, mas desprezar as atitudes externas é um erro.
A este respeito, escreveu o saudoso Papa João Paulo II: “De modo particular torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da Presença Real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. (…) Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo.” (Mane Nobiscum Domine, 18)
O ser humano é corpo e alma, e faz parte da natureza humana manifestar a disposição interior por meio de gestos (abraçar, dar presente, se vestir bem, arrumar a mesa para uma festa). E a Sagrada Liturgia é perfeitamente compatível com a natureza e as necessidades do ser humano.
É preciso haver um equilíbrio no sentido de que a disposição interna é expressa pelos gestos externos, e os gestos externos, por sua vez, reforçam a disposição interna. É um círculo vicioso.
Os gestos externos sem a disposição interior são um erro (farisaísmo); a disposição interior sem a atenção aos gestos externos também é um erro, pois se contrapõe à elementos fundamentais da Sagrada Liturgia (afinal, somos alma e corpo, não somos o “Gasparzinho”).
Por exemplo: como vamos convencer o mundo que Nosso Senhor Jesus Cristo está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento, se tratarmos a Hóstia Consagrada como um alimento qualquer?
É preciso frizar aqui a importância do vestir-se com solenidade na Sagrada Liturgia. O Catecismo da Igreja Católica (n. 1387) afirma, sobre o momento da Sagrada Comunhão: “A atitude corporal - gestos, roupa - há de se traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede.”
É preciso evitar, então, primeiramente as roupas que expõe o corpo de forma escandalosa, como decotes profundos, shorts curtos ou blusas que mostrem a barriga. Mas convém que se evite também tudo o que contraria, como afirma o Catecismo, a alegria, a solenidade e o respeito - isto é, banaliza o momento sagrado.
O bom senso nos mostra, por exemplo, que partindo d princípio da solenidade, é melhor que se use uma calça do que uma bermuda. Ora, na nossa cultura, não se vai a um encontro social solene usando uma bermuda!
O bom senso nos mostra também que, partido do princípio do respeito e da não-banalização do sagrado, é melhor que se evite roupas que chamam atenção para o corpo ou para elementos não relacionados com a Sagrada Liturgia. É melhor que uma mulher, por exemplo, utilize uma blusa com mangas do que um blusa de alcinha; é melhor que utilize uma calça discreta, saia ou vestido do que uma calça “mulher-gato” (isto é, apertadíssima); também é melhor que se utilize, por exemplo, uma camisa ou camiseta discreta do que uma camiseta do Internacional ou do Grêmio.
São Josemaria Escrivá, em um de suas fantásticas homilias, recorda seus tempos de infância, dizendo: “”Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor.” Afirma ainda: “Quando na terra se recebem pessoas investidas em autoridade, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Cristo na nossa alma, de que maneira não devemos preparar-nos?” (”Homilias sobre a Eucaristia”, Ed. Quadrante)
Vivemos em uma sociedade de imagens, e uma imagem fala mais do que mil palavras…

Mito 30: “A Missa Tridentina é antiquada”
Não é.
A Missa Tridentina é o Rito Romano celebrado na sua forma tradicional, promulgada pelo Papa São Pio V no Concílio de Trento. As diferenças entre a Missa Tridentina e a forma do Rito Romano aprovada pelo Papa Paulo VI NÃO são somente a posição do sacerdote e a língua litúrgica (pois como foi dito acima, também na forma moderna do Rito Romano é lícito celebrar em latim e com o sacerdote e povo voltados na mesma direção). As diferenças vão além: dizem respeito principalmente ao conjunto de ações do sacerdote, dos demais ministros e do povo que participa, bem como às orações previstas no Rito.
Com o Motu Próprio Summorum Pontificum, publicado em 2007, o Santo Padre demonstrou que essas duas formas do Rito Romano não são apenas duas formas válidas e lícitas, mas também duas formas autenticamente católicas de celebrar, e por isso mesmo, não há contradição entre elas. Escreveu o Santo Padre: “Estas duas expressões da lei da oração (lex orandi) da Igreja de maneira nenhuma levam a uma divisão na lei da oração (lex orandi ) da Igreja, pois são dois usos do único Rito Romano.” (Summorum Pontificum) E ainda: “As duas Formas do uso do Rito Romano podem enriquecer-se mutuamente (…) Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum.” (Carta aos Bispos, que acompanhou o Motu Próprio)
O Santo Padre ainda fez questão de mostrar que a Missa Tridentina NÃO se contrapõe ao Concílio Vaticano II: “”Há o temor de que seja aqui afectada a autoridade do Concílio Vaticano II e que uma das suas decisões essenciais - a reforma litúrgica - seja posta em dúvida. Tal receio não tem fundamento.” (Carta aos Bispos)
O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, já havia escrito (em “O Sal da Terra): “A meu ver, devia-se se deixar seguir o rito antigo com muito mais generosidade àqueles que o desejam. Não se compreende o que nele possa ser perigoso ou inaceitável. Uma comunidade põe-se em xeque quando declara como estritamente proibido o que até então tinha tido como o mais sagrado e elevado, e quando considera, por assim dizer, impróprio o desejo desse elemento. Pois em que se poderá acreditar ainda do que ela diz? Não voltará a proibir amanhã o que hoje prescreve? (…) Infelizmente, entre nós, a tolerância de experiências aventureiras é quase ilimitada; contudo, a tolerância a liturgia antiga é praticamente inexistente. Desse modo, está-se certamente no caminho errado.”

Mito 31: “Para celebrar a Missa Tridentina é preciso autorização do Bispo local”
Não precisa, nem o Bispo local pode exigir isso.
Com o Motu Próprio Summorum Pontificum, o Santo Padre Bento XVI liberou universalmente a celebração da Missa Tridentina (antes, ela estava restrita à autorização dos bispos locais).
Mito 32: “Ir à Missa dominical não é obrigação”
É moralmente obrigado aos católicos participarem da Santa Missa Dominical, sim.
Muitos relativizam isso falando coisas como “não se visita um amigo por obrigação, mas por amor”.
Evidentemente, Deus é Aquele que nos amou primeiro, precisa ser nosso melhor amigo e é digno de todo nosso amor e de todo nossa adoração. Porém, não estamos falando aqui de um “amiguinho qualquer”, mas de Deus!
E é Justo que se obedeça as Suas Leis, que inclui a Lei da Santa Igreja, como foi explicado acima. Estamos moralmente obrigado a isso. Isso é dar a Deus o que é de Deus (Mateus 22, 21).
Diz o Catecismo: “O Mandamento da Igreja determina e especifica a Lei do Senhor. Aos Domingos e nos outros dias de festa preceito, os fiéis tem a obrigação de participar da Missa. Satisfaz ao preceito de participar da Missa quem assista à Missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia ou na tarde do dia anterior.” (n. 2180) A participação na Santa Missa no Sábado à tarde, portanto, cumpre o preceito dominical.
Além disso, devem ser guardados como dia de festa de preceito o “dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de risto, de Santa Maria, Mãe de Deus, de sua Imaculada Conceição e Assunção, de São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e, por fim, de Todos os santos.” (n 2177). Os fiéis católicos tem, portanto, obrigação de participar da Santa Missa também nos dias de cada uma dessas festas ou nas tardes dos dias anteriores à cada uma delas.
No Brasil, para facilitar o cumprimento do preceito, várias destas festas são transferidas para o Domingo, por determinação da CNBB com a aprovação da Santa Sé. As únicas que permaneceram no calendário litúrgico além dos Domingo são: Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo (25 de dezembro), Santa Maria, Mãe de Deus (01 de Janeiro), Corpus Christi (data móvel) e Imaculada Conceição da Virgem Maria (08 de Dezembro) - ver comentário do Pe. Jesús Hortal sobre o cânon 1246, no Código de Direito Canônico editado pela Loyola.
Ainda em relação à participação da Santa Missa nos dias de preceito, o Catecismo deixa claro: “Os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado mortal.” (n. 2181) O cânon 1245 afirma que o pároco pode conceder ao fiel, por razão justa, a dispensa da obrigação de guardar uma festa de preceito.

Importa dar a Deus o que é de Deus (Mateus 22, 21).
“Amor com amor se paga”, diz São João da Cruz, doutor da Santa Igreja.
Persevera no amor quem vive os mandamentos de Deus (Jo 15,10).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Solenidade da Ascensão do Senhor - Ano A



At 1,1-11
Sl 46
Ef 1,17-23
Mt 28,16-20
          Estamos ainda nos dias pascais, nas alegrias da Ressurreição do Senhor. A Solenidade que hoje celebramos – a Ascensão – e aquela do Domingo próximo – Pentecostes - são ainda dimensões, aspectos do mistério da Páscoa: ressurreição, subida ao céu e dom do Espírito são três aspectos do mesmo mistério. Celebramo-lo num arco de cinqüenta dias porque, enquanto o Senhor Jesus deixou este nosso tempo, feito de ontens, de hojes e de amanhãs, nós continuamos presos às horas, dias, meses e anos deste mundo...
           Eis: Jesus ressuscita no Pai; não ressuscita para depois ir ao seu Deus e Pai! Ressuscitar é, precisamente, sair da morte, entrando na vida plena, que é o Pai. (Nunca esqueçamos: o Pai é nossa Vida, o Pai é nosso Céu! Também o foi e o é para Jesus)! Isso aparece claro em alguns textos dos próprios evangelhos. Em Lc 24,44, Jesus ressuscitado, conversando, com seus apóstolos e sendo tocado por eles, diz claramente que com eles não está mais: “São estas as palavras que eu vos falei quando estava convosco...” No próprio Evangelho deste hoje, o Senhor, aparecendo aos seus sobre o monte, dá a entender que já está no céu: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra!” Vede: ele já recebeu tal autoridade, também no Céu! Ele, durante quarenta dias apareceu aos seus, mas já não estava entre os seus! Seu novo modo de permanecer conosco é na potência do seu Espírito, também fruto da sua ressurreição e da entrada no Pai...
          Se é assim, qual o sentido desta Solene Ascensão do Senhor? Eis o seu significado, tão importante para nós e para a nossa salvação: na Ressurreição, Jesus foi glorificado na sua pessoa, isto é, em si mesmo. Na Ascensão, aparece o que sua Ressurreição significa para nós, o que o Cristo se torna em relação a nós. Em primeiro lugar, a Ascensão marca o fim daquele período de encontros que o Ressuscitado teve com seus discípulos para fortalecer-lhes a fé e explicar-lhes a missão. É, portanto, uma despedida! Como já foi dito, a partir desse momento o Senhor estará com os seus e poderá ser por eles percebido de uma forma nova: na potência do seu Espírito Santo, presente na força da Palavra anunciada e nos sacramentos da Igreja. É assim que a Ascensão abre caminho para o Pentecostes, quando o Espírito, de um modo visível e barulhento, marca a inauguração da missão da Igreja, que é testemunhar e anunciar o Senhor, tornando-o presente nos gestos sacramentais.
          Segundo: a Ascensão nos revela aquilo que aconteceu no Céu com Jesus e que, na terra, somente pela fé podemos saber e crer, isto é, sua glorificação como Senhor do Céu e da terra, Senhor da história humana e da Igreja. Ele ressuscitou e subiu ao Céu para tudo recapitular e de tudo ser a Cabeça, fonte de vida e salvação! São Paulo nos disse na segunda leitura que “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos e fê-lo sentar-se à sua direita nos céus. Ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, Cabeça da Igreja, que é o seu corpo...” É assim que hoje, cheios de alegria, proclamamos Jesus ressuscitado como Cabeça de toda a criação, Cabeça da humanidade toda, Cabeça e sentido da história humana. E tudo isso ele o é enquanto Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo! Isso significa que toda a criação caminha para ele e nele será um dia glorificada; que toda história somente nele encontra a direção e o sentido profundo; e que a Igreja participa, de modo indissolúvel, da sua obra universal de salvação! Se toda salvação neste mundo somente pode vir através de Cristo, vem desse Cristo que é, inseparavelmente, Cabeça da Igreja. Assim, podemos e devemos dizer que sem o ministério da Igreja não há salvação possível! Isso mesmo: fora da Igreja não há salvação, porque ela é o Corpo do Cristo, sua Cabeça e único Salvador. Em outras palavras: todo ser humano de boa vontade e consciência reta pode salvar-se, mas pode-o somente porque Cristo, Cabeça da Igreja, morreu e ressuscitou e está à Direita do Pai em favor de toda a humanidade e age através da Igreja em benfício de todo ser humano, até de quem não crê nele!
          Em terceiro lugar, glorificado, o Senhor é nosso Juiz! Para ele caminham a história humana e as nossas histórias. Somente ele pode ver nosso caminho neste mundo com seu sentido profundo, somente ele nos julgará, porque, à Direita do Pai, somente ele abarca toda a história com o seu Espírito e desvela seu sentido pleno; somente nele nossos pobres dias podem encontrar o Dia sem fim, o Dia pleno da glória eterna! Quarto: desaparecendo de nossa vista humana, ele nos dá o seu Espírito, inaugurando um novo modo de estar presente entre nós, mais profundo e eficaz: agora ele nos é interior, age em nós pela energia do seu Espírito Santo: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo!” – Essa promessa não é palavra vazia; é, sim, uma impressionante realidade! E é nesse Espírito que ele consola a Igreja e a guia na missão  pelas estradas do mundo. Em quinto lugar, sua presença na glória, à Direita do Pai, o constitui para sempre como nosso Intercessor, como diz o Autor da Epístola aos Hebreus: “Cristo entrou no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor!” (9,24). Eis como é grande a nossa certeza, como é profunda a nossa esperança, como é certo o nosso camiho: temos um Irmão nosso, um de nossa raça à Direita do Pai, intercedendo por nós!
          Caríssimos, a hodierna Solenidade é também nossa festa e motivo de alegria para nós! Aquele que hoje sentou-se à Direita do Pai é o Filho eterno feito homem, é um de nós! Que coisa impressionante: hoje, a nossa humanidade foi colocada acima dos Anjos! Aquele que, como Deus, foi colocado no presépio e no sepulcro, hoje, como homem, foi colocado acima dos anjos, à Direita do próprio Pai! Ora, alegremo-nos: onde já está o Cristo, nossa Cabeça, estaremos um dia todos nós, membros do seu Corpo! Era isso que rezava a oração inicial da Missa de hoje: “Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é a nossa vitória: membros do seu corpo, somos chamados a participar da sua glória!” E a oração que faremos após a comunhão dirá claramente que junto do Pai já se encontra a nossa humanidade, no Cristo glorificado.
          Irmãos e irmãs! Elevemos o olhar para o céu: à Direita do Pai, Deus como o Pai, encontra-se o homem Jesus, nosso irmão, um de nossa raça... Ele é o objetivo para o qual se dirigem a nossa existência e a historia humana, ele é o nosso Juiz, ele é o nosso Intercessor! Que nossa vida, neste mundo que passa, seja cheia do gosto da eternidade, porque nele, nossa esperança é certíssima! Não temamos: aquele que está no céu faz-se ouvir nas Escrituras e se nos dá em comunhão na Eucaristia para que o experimentemos, o anunciemos e o testemunhemos, até sermos plenamente unidos a ele quando aparecer em sua glória e entregar o Reino a Deus seu Pai. “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; ele o será por toda a eternidade” (Hb 13,8). Amém.

O fundamentalismo: a Bíblia como receita de bolo – IV



Com este artigo vamos terminar a série na qual tratamos do modo fundamentalista de ler a Palavra de Deus. Para evitar a praga fundamentalista – que deturpa a Palavra pensando ser fiel à Palavra! – já vimos alguns critérios: 
1) Toda a Escritura deve ser lida tomando Cristo como centro e intérprete. 
2) É necessário respeitar a analogia da fé, ou seja, levar em conta o fio da meada, o “enredo” da Revelação de Deus, que é uma mensagem de salvação, vida e alegria. Não se pode colocar tudo na Bíblia em pé de igualdade! 
3) A Escritura deve ser interpreta na Igreja e com a Igreja. Nenhuma Escritura é para interpretação privada. Jesus não é “meu Salvador pessoal” – ele é o Salvador de todos e nos reúne como membros do seu Corpo que é a Igreja! 
4) A Igreja é a única que pode dar a última palavra sobre o sentido da Escritura: ela goza da assistência do Espírito Santo, prometido pelo próprio Cristo. Interpretar a Bíblia contra o sentido e o sentimento da Igreja católica é deturpar a Palavra de Deus. Não é a toa que temos tantas e tantas seitas, cada uma interpretando a Palavra a seu modo... modos errados! 
5) A Escritura traz a Palavra de Deus que é a verdade. Mas essa verdade da Bíblia é teológica, salvífica. A Bíblia não quer nos dar nenhuma informação sobre ciência, história, geografia, etc. Sua mensagem é salvífica e, naquilo que consiste em apresentar a vontade de Deus para o mundo e a humanidade ela não erra. 
            Eis, agora, os últimos três critérios importantes para uma leitura correta e frutuosa da Palavra de Deus: 
6) Como toda obra literária, também os livros da Escritura Santa têm, cada um, seu estilo literário próprio. Não se pode ler um salmo como uma carta de São Paulo nem os primeiros capítulos do Gênesis como se fosse uma crônica histórica: os salmos e o Cântico dos Cânticos são poemas, do Gênesis ao 2 Livro dos Reis temos uma meditação teológica sobre a história de Israel, uma teologia da história em forma narrativa; o Livro de Jó é um poema sapiencial, Daniel e Zacarias são, em grande parte, apocalipses... e assim por diante. Então, não compreenderá bem determinado livro e seus capítulos quem não tiver noção razoável destas realidades. Isto não quer dizer que é necessário ser doutor em teologia para ler a Palavra de Deus. Mas é necessário deixar claro que para uma compreensão precisa, exegética, da Escritura, são necessários estes conhecimentos! Caso, contrário, haja interpretação maluca, como as que vemos por aí a fora! Por tudo isso, o caminho seguro e sem erro é interpretar sempre a Bíblia em comunhão com a Igreja, que recebeu a autoridade para interpretá-la! 
7) Um outro ponto importante: se é verdade que cada livro da Escritura é Palavra de Deus e que cada autor sagrado é inspirado ao escrever. No entanto, Deus nunca abafa a personalidade do homem, de modo que cada autor conserva seu estilo e, mais ainda, sua teologia: quer dizer que cada autor tem seu modo peculiar de perceber e exprimir o mistério da salvação e da obra de Cristo. Não são modos de ver contraditórios entre si, mas sim complementares. Por exemplo: observe-se o modo de São Paulo apresentar o mistério de Cristo, como é diferente do de São João! Observe-se também como o Jesus de São Marcos é calado e o Jesus apresentado pelo Quarto Evangelho faz longos discursos. Observe como os temas das Cartas de São Pedro são diferentes dos da Carta de São Tiago que são, por sua vez, diferentes dos das Cartas paulinas. Não há contradição; há complementariedade. Pois bem: quando alguém vai ler um livro da Escritura é necessário saber um pouco da mentalidade do Autor: o pessimismo do Eclesiastes, a emotividade de Jeremias, a consciência da santidade de Deus de Isaías, a ranzinzisse de Ageu, o lirismo de Oséias, etc.  
            Todos estes critérios que aqui apresentei não devem nos fazer desanimar na leitura da Bíblia. Devem somente nos colocar de sobreaviso contra a ilusão da leitura ao pé da letra, tão comum entre as seitas! Uma coisa é certíssima: quem lê a Bíblia em comunhão com a Igreja, com a doutrina recebida dos Apóstolos desde o início, não corre de modo algum o perigo de errar na interpretação da Palavra de Deus! Ao contrário, quem lê a Escritura fora da comunhão da Igreja de Cristo, não somente está sujeito a erros graves, como também arvora-se em juiz da Igreja, caindo num pecado de tremendo orgulho e presunção. Já pensou: eu, sozinho, compreendo mais a Palavra de Deus que a Igreja toda? É pura loucura humana, instigada pelo Diabo, pai da mentira e autor de toda divisão. Prova disso é quantidade de seitas que ferem o cristianismo!
          Espero que esta série de artigos tenha sido esclarecedora!

Vocação, uma questão de fé

   É muito comum hoje falar-se em “teste vocacional”, com o intuito de ajudar os jovens na descoberta de suas aptidões e escolha de uma profissão. Ora, a palavra vocação, roubada do vocabulário religioso, está, aí, mal empregada. “Vocação” deriva do latim vocatio, “chamado”. Assim sendo, em sentido estrito, falar em vocação é falar não de algum trabalho ou profissão que eu escolho, mas de alguém que me chamou para algo. Neste contexto, somente tem sentido falar-se em vocação como um chamado de Deus a alguém para um determinado tipo de vida, para um determinado ministério, e tudo isto no âmbito da Comunidade eclesial em vista da construção do Reino de Deus. Assim, vocação é o chamado que Deus nos faz à vida, vocação é o apelo que o Cristo nos faz pelo Evangelho a crer e, recebendo o Batismo, tornemo-nos discípulos seus na vida cristã, no seio da Igreja. Vocação é ainda o lugar concreto que ocupamos na vida da Igreja, com vistas ao testemunho de Cristo: a vocação de leigo casado, de leigo solteiro no mundo, de leigo consagrado pelos votos na vida religiosa ou de ministro ordenado, como Bispo, padre ou diácono. Vocação também, já num sentido bem mais amplo e menos próprio, são os vários ministérios que podem ser assumidos na vida da Comunidade dos discípulos, que é a Igreja. Então, para que se possa falar, em sentido estrito, de um chamado, uma “vocatio”, é necessário recordar que não somos nós quem escolhemos; é um Outro, o Senhor, quem nos chama! É ele quem, livremente, toma a iniciativa. A vocação é um dom, uma graça, à qual eu devo responder, não simplesmente segundo o meu capricho ou o critério da minha satisfação pessoal, mas como um apelo e uma missão, uma responsabilidade que Alguém deseja confiar-me.
   Neste sentido, seria melhor chamar os testes que são feitos aí fora de “testes profissionais” ou “testes de aptidões”, já que a escolha que se vai fazer visa simplesmente à satisfação pessoal, à aptidão que alguém possui e a busca do seu legítimo ganha-pão.
   Detenhamo-nos ainda um pouco nesta ideia da vocação como chamado. Isto quer dizer tanto, tem tantas implicações! Primeiramente, que não sou eu quem toma a iniciativa, mas sou interpelado por um Outro, que me apela, impele e, muitas vezes, compele, perturbando meu coração, exigindo e esperando uma minha resposta. Em outras palavras: em questão de vocação, eu não escolho, sou escolhido! A vocação apresenta-se, então, como o mistério de um apelo, um chamado, um convite, uma missão que me é dada, muitas vezes sem que eu esperasse ou, em princípio, desejasse. Em segundo lugar, é uma realidade que eu devo acolher e responder na fé, na busca da vontade do Senhor que chama. O cristão, diante do chamado de Deus, sente que o Senhor lhe confia uma missão e que, abraçando aquele caminho, ele está caminhando com o Senhor e a serviço do Senhor. Isto vale para toda vocação cristã, também para o matrimonio. Aliás, quem dera que os casais cristãos compreendessem que sua vida conjugal é uma resposta ao chamado do Senhor e um caminho belíssimo de santificação e evangelização e não, simplesmente, uma busca de auto-realização pessoal! Por isso mesmo, o discernimento vocacional não deve ser feito com um psicólogo, mas com um(a) orientador(a) espiritual, num contexto de oração, de escuta da Palavra de Deus, de participação na vida da Comunidade eclesial e de celebração dos santos Sacramentos. Em terceiro lugar, a vocação deve ser sempre pensada e vivenciada como um serviço e não como um simples capricho meu para minha própria satisfação e minha realização privada. O Senhor me chama para, realizando-me e sendo feliz, construir o seu Reino. A vocação é um mistério que acontece em nós, mas não é simplesmente para nós! Por isso mesmo, toda vocação autêntica passa pelo discernimento da Comunidade eclesial, isto é, da Igreja. Até mesmo a vocação matrimonial, pois que, ao abençoar o matrimonio, a Igreja reconhece naquele casal o chamado de Deus para a vida conjugal. Um quarto aspecto muito importante: sendo um chamado, eu somente posso viver minha vocação como uma resposta, isto é, como uma abertura ao Senhor, uma resposta de fé e na fé, num contínuo diálogo com ele, numa relação viva com Aquele que chamou, caso contrário, a vocação morre, não porque o Senhor deixa de chamar-me, mas porque eu deixo de ter a capacidade de ouvi-lo e viver minha vida como uma resposta! Sem este clima de constante diálogo, sem viver minha vocação como resposta ao dom-chamado de Deus, minha vocação torna-se somente um “fazer”, uma profissão! Mais um aspecto importante: o sucesso na vida do vocacionado não pode ser medido pelo que ele faz, por suas realizações, mas unicamente por sua fidelidade Àquele que o chamou: somos chamados não para fazer sucesso, mas para sermos fiéis, não para aparecermos grandes aos olhos dos outros e do mundo, mas para permanecermos atentos Àquele que se dignou nos escolher. Finalmente, um último aspecto: se a vocação é iniciativa do Senhor, se é ele quem chama, se é ele quem toma a iniciativa, ele quem escolhe - e somente ele sabe porque chama a mim, precisamente -, então responder ao chamado, exige de mim disponibilidade para o inesperado de sua vontade em minha vida. Em outras palavras: quando escolho minha profissão, caminho por onde quero, faço o que quero, quando e como quero; porém, quando digo sim a uma vocação, devo colocar-me ao inteiro dispor daquele que me chamou, deixando-me conduzir para a terra que ele me mostrará, caminhando como se visse o invisível, entregando-lhe a direção dos meus passos.
   A vocação é, pois, um mistério de encontro e de liberdade, entre o Deus que chama e aquele que é chamado. O caminho do discernimento vocacional é, pois, um caminho de fé e só na fé pode ser empreendido. Esquecer isso é confundir vocação com profissão, é reduzir o ser vocacionado com o fazer coisas e terminar dizendo sim somente a si mesmo e aos seus interesses, condenando-se a si próprio a ser um frustrado, uma caricatura por toda a vida.

25 Parresía: “O Purgatório”

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo, neste episódio Padre Paulo Ricardo nos esclarece a respeito da existência do Purgatório.


 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Santa Missa é uma festa?



 É comum escutarmos hoje que “a Santa Missa é uma festa”. Seria adequada tal definição?
Primeiramente, tenhamos em mente o que o Sagrada Magistério de nossa Santa Mãe Igreja nos ensina à respeito da Santa Missa: ela é a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, pagou pelos nossos pecados na cruz. Tal Sacrifício se torna presente na Santa Missa no momento em que o pão e vinho tornam-se verdadeiramente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor (Catecismo da Igreja Católica, 1373-1381). O Santo Sacrifício da Missa é incruento (ou seja, sem sofrimento nem derramamento de sangue), ou seja, é o mesmo e único Sacrifício do Calvário, tornando-se verdadeiramente presente na Santa Missa para que possamos receber os seus frutos e nos alimentar da Carne e do Sangue de Nosso Senhor. Por isso nos ensina o Sagrado Magistério nos ensina que "o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício." (Catecismo da Igreja Católica, 1367)
Conseqüentemente, a Santa Missa não absolutamente é uma festa no sentido popular do termo, pois a Santa Missa não é um encontro social para onde as pessoas se dirigem para comemorar algo, para confraternizarem, para comer e para dançar. A Santa Missa tem a finalidade de oferecer ao Pai o Único e Eterno Sacrifício de Nosso Senhor, e a nossa participação nele (no sentido de nos unirmos ao mistério que o sacerdote celebra no altar) nos propicia os frutos deste Sacrifício. Embora a Santa Missa tenha uma dimensão de banquete e ceia, é um banquete essencialmente sacrifical, que perde totalmente o sentido se não reconhecermos nele a dimensão de Sacrifício. Pois na Santa Missa não nos alimentamos de uma comida qualquer como em um banquete ou ceia comuns, mas sim do Carne e do Sangue de Nosso Senhor, escondidos sob a aparência do pão e do vinho.
Por outro lado, não seria errado se afirmássemos que a Santa Missa é uma festa em um sentido místico profundo, pois nela, no Santo Sacrifício de Nosso Senhor, acontece a nossa salvação. Por isso, na Santa Missa toda a Santa Igreja triunfante, padecente e militante – o que inclui a Virgem Santíssima, os santos anjos, os santos do purgatório e os santos da terra – se alegra e festejam a alegria da nossa salvação. Mas o fazem em profunda reverência, solenidade e adoração.
Olhemos para nosso povo, que vivendo em uma sociedade “descristianizada”, como declarou o saudoso Papa João Paulo II (Veritatis Splendor, 106), ignora o que seja realmente a Santa Missa. Mesmo, muitos que freqüentam a Santa Missa semanalmente ignoram este mistério, pois falta ao nosso povo noções básicas da catequese católica – o que por sua vez é conseqüência da má formação do clero; o Cardeal Ratzinger, hoje Papa bento XVI, não poupa palavras para dizer que “o que nós precisamos é de uma nova educação litúrgica, especialmente também os padres.” ("O Sal da Terra", p.141) O problema aumenta por grande parte das celebrações da Santa Missa não manifestarem externamente a sua dignidade, ao desobedecer as normas litúrgicas e ignorar a solenidade que o Sagrado Magistério recomenda para que se viva na Santa Missa - e assim se combate o ato solene de receber Nosso Senhor diretamente na boca e de joelhos, se utiliza sem real necessidade os ministros extraordinário da comunhão eucarística, sacerdotes não utilizam a casula para celebrar sem um motivo justo para isso, e assim por diante.
Historicamente falando, os protestantes não crêem na Presença Real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento e no Santo Sacrifício da Missa. Por isso, na tentativa de atender a ordem de Nosso Senhor (“fazei isto em memória de mim”), procuram realizar novamente última ceia apenas como “banquete”, comendo pão e bebendo vinho - e nem poderia ser diferente, pois os protestantes romperam com a sucessão apostólica, e portanto, não poderiam celebrar a Santa Missa nem se quisessem.
Mesmo caminho, posteriormente, tomaram os “católicos” ditos “progressistas”, que negam Presença Real de Nosso Senhor e o Santo Sacrifício da Missa, tendo eles como estratégia natural para disseminar suas crenças heréticas, afirmar que a Santa Missa é simplesmente "banquete", "ceia" a "festa", onde "se celebra a vida, a fraternidade e a partilha", e assim obscurecer a sua essência, que é sacrifical.
O saudoso Papa João Paulo II, em sua última encíclica, escreveu à este respeito: "As vezes transparece um compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesma. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que se fundamenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. (...) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um Dom demasiadamente grande para suportar ambigüidades e reduções." (EE 10)
Por isso mesmo, concluímos que referir-se a Santa Missa simplesmente como festa é perigoso em um meio onde o povo não é suficientemente catequizado e faz parte da estratégia dos adversários da Santa Igreja. Ao invés disso, voltemos a afirmar com clareza, juntamente com o sumo Pontífice Gloriosamente Reinante – o Papa Bento XVI - a verdadeira essência da Santa Missa: o Único e Eterno Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Francisco Dockhorn, 10/07/2006